segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dança

17 de Setembro de 2011.

Foi este o dia em que reencontrei finalmente o sitio a que pertencia. Assim que passei pelas portas daquele pavilhão tão conhecido por mim, foi tal o sentimento de bem estar e de completa confiança que senti, que logo descobri que era ali o meu lugar, entre os grandes artistas do mundo da dança, e é a esse mundo que eu pertenço.

O facto de ver todos aqueles dançarinos a treinar antes de entrar em pista, e tambem o facto de ver que cada um sentia mais ou menos os mesmos nervos que eu, fez que com que um sorriso que já á muito eu não transparecia se ilumina-se no meu rosto.

Até aqui chegar, houve um tempo em que desisti desta paixão, em que desisti daquilo que me trazia a verdadeira felicidade, por motivos pessoais e financeiros tive que abdicar deste meu grande sonho, e se não fosse pelo facto de duas pessoas tão importantes para mim andarem a insistir para que eu voltasse muito provavelmente a esta hora ainda estaria incompleto, sem aquilo que me faz feliz.

Entrar para a escola de dança em que estou agora foi das melhores coisas que me aconteceu ao longo da minha vida, assim que pisei pela primeira vez o chão daquele amplo espaço de treino senti logo uma enorme empatia com toda a gente, foi tão bem recebido, mais do que aquilo que eu podia esperar, fiz enormes amizades, e tive a oportunidade de privar com pessoas simplesmente incriveis.

Arranjei um par como nunca esperei arranjar, uma pessoa que me compreende, que sabe como eu sou, que é parecida comigo, tanto em termos de personalidade como em termos de dança, uma pessoa em que eu tenho imenso orgulho e um imenso prazer de poder estar a dançar com ela.

Reencontrei passado muito tempo um grande amigo, porventura o meu melhor amigo, aquele que nunca desistiu de mim apesar do afastamente que houve entre nós, aquele que me deixou sempre as portas abertas e que nunca perdeu a esperança de que um dia eu viesse a fazer novamente parte da mesma escola que ele.

Conheci pessoas novas, pessoas diferentes, pessoas especiais, mas o que mais me impressionou foi o espirito de grupo patente naquele local, um espirito que eu já não encontrava numa escola de dança á muito tempo mesmo. Ah e ainda arranjei um cunhado bestial. A todos eles o meu muito obrigado, porque se não fossem por eles eu tinha desistido por completo do meu sonho.


Não posso deixar de agradecer individualmente ás duas pessoas que tiveram o papel mais preponderante e que foram aquelas que não me deixaram desistir. Ruben obrigado por tudo, foste aquele que praticamente me ensinou os primeiros passos no mundo dança, e provavelmente foste aquele que nunca deixou de acreditar nas minhas qualidades e no que eu podia trazer de novo, muito obrigado mesmo.

Patricia, minha piquena, até não chegam as palavras para te agradecer, obrigado mesmo, porque graças a ti voltei a fazer uma coisa que amo, obrigado pelo teu voto de confiança e acima de tudo pela tua amizade, estou e estarei sempre aqui para o que precisares, e nós ainda vamos dar muito que falar vais ver.


A todos, mas a todos mesmo, desde direcção, alunos e professores, o meu muito obrigado por voltarem a acender esta chama que nunca esteve apaga, mas que esteve muito enfraquecida durante muito tempo.


Povoa da Isenta para sempre.. =)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

12ºI

Os melhores anos da nossa vida passam a correr por nós e nem damos por eles passarem, e depois chegamos onde eu estou, a olhar para trás e para tudo o que aconteceu, desejando voltar a viver aqueles pequenos momentos, com aquelas pessoas tão especiais para nós e que nos marcaram, cada uma da sua maneira especial.
Falo claro, dos nossos anos de secundário, acreditem ou não foram os melhores anos que já tive, em que conheci pessoas fantásticas, divertidas, inteligentes, malucas, distraídas, queridas, compreensivas, impulsivas, algumas completamente irracionais e outras de que não faz sentido falar.
Ao longo 3 anos muitas foram as aventuras que vivi convosco, mais no ultimo é certo, mas guardo dentro de mim momentos especiais de cada um dos anos que passamos juntos. Éramos provavelmente a turma mais diferente, mas também a mais unida que aquela escola alguma vez já viu. Apesar de sermos todos diferentes uns dos outros, alguns de nós, a maioria penso eu, soube por de lado as suas diferenças e ajudar-mo-nos uns aos outros sempre que foi preciso, o sentimento de união e lealdade que uniu a maioria dos membros desta fantástica turma foi um factor crucial para que, eu pessoalmente, conseguisse passar por muitas situações complicadas. Acreditem que mesmo sem saberem, mesmo sem terem o total conhecimento daquilo que se passava vocês foram as pessoas que estiveram sempre no sitio certo, à hora certa para fazer sair um sorriso dos meus lábios quando este teimava em trancar-se a sete chaves.
No dia 14 deste mesmo mês, a nostalgia abateu-se sobre mim, e sobre muitos de vocês tenho a certeza, uma nostalgia tal que me fez voltar ao sitio onde estava-mos todos à um ano atrás, sentados ou de pé, numa sala pintada com tons pálidos, com janelas a todo o comprimento da parede, e à nossa frente estava o professor que mais ia sofrer nas nossas mãos e nós nas mãos dele claro...
Existiram estoiros, existiu o famoso calão, existiu cantorias, existiu actos patrióticos, existiu homenagens ás nossas touradas... Mas acima de tudo, dentro dessa sala, existiu amizade, existiu cumplicidade, existiu compreensão, existiram desabafos, e chegou até a existir lágrimas...
Foi dentro daquelas 4 paredes que passamos grande parte do nosso ultimo ano, foi dentro dessas 4 paredes que deixamos parte de nós, todo o nosso esforço, toda a nossa luta, todas as nossas magoas, todas as nossas alegrias, foi nessas 4 paredes e nas nossas memorias que ficaram, e ai vão ficar para o resto da vida.
Felizmente, muitos de nós conseguiram transportar esta amizade e esta cumplicidade para fora dessas 4 paredes, nunca nos iremos esquecer dos almoços fora da escola, nunca iremos esquecer os atrasos propositados a determinadas aulas, nunca iremos esquecer as gomas que comiamos por conta de outrem, nunca iremos esquecer todas as pequenas e simples coisas que fizeram com que este ano se tornasse tão especial.
Tive a honra e o privilégio de estar presente em alguns dos momentos importantes destes nossos amigos, desde festas de anos só assim demais até um ida a uma tatuador, para alguém muito importante fazer a sua primeira tatuagem.
Vocês fizeram mais por mim do que qualquer outra turma teria feito, ficará sempre gravado no meu coração o dia 12 de Maio de 2011. Todas as palavras e os gestos ficaram marcados a ferro e fogo.
Agora que chegou ao fim mais uma etapa da nossa vida, muitos de nós irão seguir direcções opostas, e será mais dificil voltar-mos todos a socializar. Ainda assim, deixo-vos um pedido especial, nunca tirem da vossa memoria o 12ºI, e quando um dia mais tarde estiverem na apresentação dos vossos filhos, naquela que foi a nossa escola durante tempo, lembrem-se que foi ali que provavelmente passaram alguns dos melhores anos da vossa vida.

A todos vocês os meu muito obrigado 12ºI. Espero voltar a vê-los. Sentirei a vossa falta.

E cuidadooooooooo.. =D



Saudades

Engraçado como por vezes caminhar ao longo de estradas sem fim e observar com toda a nossa atenção tudo o que nos rodeia, consegue trazer-nos memorias que pensamos não mais existirem. O simples som de um comboio, ou ate mesmo o som banal de um pássaro a cantar nos pode trazer memorias que ficaram empoeiradas e esquecidas no fundo da nossa mente.
Pela primeira vez em muitos anos, recordei novamente o meus tempos de infância, momentos que não vão voltar, momentos que podemos apenas recordar através daquilo que retemos dentro da nossa massa cinzenta. O facto de um grupo de miúdos com idades entre os 3 e 5 anos despertou em mim um sentimento de nostalgia do qual não estava à espera, fez-me recordar momentos em que era feliz, feliz no verdadeiro sentido da palavra, feliz porque tinha tudo aquilo que precisava, tinha varios amigos (que importa se eram verdadeiros ou não?), tinha uma namorada por dia, não tinha desilusões, não tinha problemas financeiros, não tinha nada do que a vida me está a dar agora. Problemas.
Lembro-me tão bem de dizer sempre à minha mãe que não queria crescer, que queria ficar menino para sempre, tal como o peter pan...
Oh momentos maravilhosos, em que nós crianças não tinhamos a consciencia de nada, tal como nos diz o nosso Fernando Pessoa, e por vezes tenho que concordar com ele, porque por vezes ter consciencia das coisas é sinonimo de sofrimento ou desilusão.
Como era saborosa a incosciencia da infancia...
Como eu gostava de voltar atrás...
Como eu gostava de poder voltar aquela epoca e deixar esta para trás e ser novamente inconsciente..

Não adianta...

Algo vem bem do fundo de mim e pede-me urgentemente para gritar! Algo demasiado atractivo e poderoso, escondido bem no fundo do meu ser, exige que pela minha boca sai tudo aquilo que sinto, tudo aquilo que não sinto, e tudo aquilo que devia ser dito e que até hoje ficou por dizer.
No entanto eu sou e ao longo de toda a minha vida sempre fui mais forte que este ser desconhecido, porquê ceder agora? Porquê ceder agora a uma parte de mim que eu próprio desconheço?
É aterrador pensar que dentro de mim vive um ser tão poderoso que me diz para ir contra tudo aquilo em que acredito, que me diz para ceder aos pecados deste mundo mundano e me tornar numa pessoa totalmente diferente do que sou hoje? Será que as vontades deste ser tão negro têm alguma razão de ser? Será que devo ceder à tentação de cair na "conversa" que ele me tenta impingir sempre que estou só e vulnerável?
Sim, é verdade que por vezes desejo ser uma pessoa totalmente diferente, ou melhor, não posso dizer ser diferente, mas sim sem uma coisa que a maioria dos seres humanos têm. Sentimentos. Afinal de contas para que servem eles? Todos eles são confusos, deixam-nos loucos quando não sabemos aquilo que sentimos realmente, e mesmo quando sabemos conseguem deixar-nos vergados ao chão porque esses mesmo sentimentos não são correspondidos pela pessoa certa. Por isso para que servem eles afinal?
Talvez, se não fosse uma pessoa ligada aos meus sentimentos e aos sentimentos daqueles que me rodeiam levaria uma vida mais despreocupada e sem stresses, fazia o que queria, ia onde queria, estava com quem queria, sem ter que ficar com um peso na maldita consciência, mas eles teimam em perseguir-me, por mais que tente fugir deles, cada vez que arrisco olhar para trás lá estão eles, parados, a olhar para mim, com uma expressão de gozo que diz "nós somos parte de ti, não podes fugir de nós."...

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar." (William Shakespeare)